quinta-feira, 20 de abril de 2017

O blog simplesmente morreu em 2017.
A justificativa é simples:
Não escrevo mais.
É totalmente raro ter um tempo pra escrever depois de trabalhar com cobranças e correria, chegar cansada em casa e tirar uma curta soneca de menos de uma hora, pra então estudar. Antes das 21h já estou totalmente acabada e querendo dormir.
Eu também não leio mais.
É bem raro ler algo por prazer e não por necessidade. Além dos livros da faculdade, apostilas da faculdade, relatórios do trabalho e matérias pra estudar, leio notícias em jornais virtuais. Pois é, as HQ's, livros e mangás ficaram totalmente de lado porque ou eu priorizo o que está me tirando dinheiro (faculdade), ou acabo com notas ruins e presa nisso por mais tempo.

Crescer, ter responsabilidades e finalmente, admitir que é você quem responde por você... É triste.
Espero que a turbulência passe logo pra voltar a ter um tempinho pra cá.

Beijinhos açucarados de uma K exausta.

See ya.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016



Inunda-se o pandemônio de insólito vazio, na cacofonia muda e surda do sentir e do saber, a consciência inoperante se ausenta totalmente e abre espaço para que todos eles (e você sabe dos quais falamos), se arrastem para fora de suas jaulas.
Eles se contorcem em uma lentidão agonizante e suja, onde a lama cria ondulações de sombras que instantaneamente tornam o ambiente escuro e pouco convidativo, é lá que reside a pior das verdades e a razão do viver, além é claro do deleite do desespero: o desejo, a inconstância e a ilusão.
O que seria do ser vivente, seja ele qual for, se não tivesse em seu mais profundo traço de personalidade e pensamentos, o desejo? A insatisfação?
É lá que eles nascem.
É lá que se proliferam.
É lá, e tão somente lá, na alma, que se tornam reais a ponto de ferirem o ser em toda sua existência, emocional, física e psicologicamente.

Matá-los antes que eles te matem, é sua missão.

domingo, 23 de outubro de 2016

Everything that kills me makes me feel alive


-O primeiro respirou fundo enquanto o segundo tomava impulso e o terceiro marcava o tempo em seu relógio, consegue imaginar o que aconteceu depois? - Elisa pestanejou não entendendo a razão da história ter sido interrompida tão abruptamente, lhe dando uma abertura. Piscou atordoada e fez um singelo "não" com a cabeça, os olhos vermelhos denunciavam seu sono e o semblante cansado anunciava um dia cheio demais para um ser tão pequeno. - Não? Mesmo? Pois quero que imagine. Assim, terminará você a história.

A pequenina arregalou os olhos apertados após aquela afirmação absurda. Ela terminaria a história? Não era esse o trato. O acordo era sempre haver uma história antes de dormir para que o deus dos sonhos lhe desse missões fantasiosas e mágicas enquanto dormia, não que ela mesma montasse o final de algo já previamente escrito. Relutante teimou com sua mãe que apenas sorriu e fechou o livro, levando-o contra o peito.

-Cada conto pode ter um final diferente, tudo depende de quem o ouve, de quem o conta. Quando for mais velha, minha pequena, vai entender que nada na vida é eterno e tampouco concreto. Até mesmo a verdade e os sentimentos são passageiros ou questão de ponto de vista, pense no fim da jornada dos três amigos, será que houve mesmo um fim? Pense o quanto quiser e me conte depois, pode ser?

Elisa particularmente não entendeu as palavras da mãe até ser velha o suficiente e até estar totalmente sozinha.

É pra isso que serve o silêncio.
Pra suprir a gritaria desnecessária que assola o tormento incessante dos pesadelos.
É pra isso que existe o silêncio.
Pra te clarear as ideias e mostrar quem de fato está ali por você.
Abrace seu silêncio e se feche contra a gritaria ao seu redor, nada além disso importa agora.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Silêncio - Introdução

Já sentiu que o peso era denso e forte demais, e que não daria conta de se livrar dele? Ou que cada passo dado, não te levaria à lugar nenhum?
Eu já.

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Silêncio.
Olhei ao meu redor e me encontrei na mais densa escuridão. Não conseguia distinguir um palmo a minha frente, sequer minhas mãos e dedos outrora tão pálidos, obtinham qualquer relance de vislumbre no negrume que me engolia.
Abri os braços e girei em torno de mim mesma, dei uma volta inteira e então dois passos para trás, repeti o ato, dois passos para frente e tornei a fazê-lo. Aquele lugar -seja ele qual fosse-, era amplo, e isso me perturbou de formas inimagináveis. Nunca fui claustrofóbica* mas a escuridão me causava calafrios e ali, ela era tudo o que tinha.
Respirei fundo, onisciente de quem era mas inebriada no breu de minha própria vida. Como chegara até ali? O que vivi antes daquilo? Quem me é querido?
Minha garganta estava seca (assim como ainda o está), e o gosto salpicado na língua e no céu da boca era metálico. Forcei então, a voz a sair.
Nada.
Respirei fundo novamente e engoli em seco, abri a boca e deixei a língua dançar sob meus lábios rachados, circulando-os e umedecendo-os.
Tentei novamente proferir qualquer som que ainda residia em minhas cordas vocais, não sendo capaz de recordar se algum dia já havia dito qualquer palavra.
Novamente e para meu pavor, nenhum som, nem mesmo o mais baixo suspiro, saltou de mim.

Quanto tempo havia se passado desde que me dera conta da prisão em que me encontrava? Quanto tempo, se é que ali o tempo era medido, fiquei presa, nas trevas?

Já desesperada, me pus a correr. Se aquilo era uma prisão, deveriam haver paredes não é? Algum vestígio de luz, qualquer coisa que me orientasse.
E corri.
Corri até meu corpo ceder e meus joelhos pedirem arrego, corri com todas as forças até que estivesse ajoelhada no chão, sem fôlego.
Mas não encontrei nenhuma barreira.
Era como se estivesse livre e ao mesmo tempo, enjaulada. Aquilo era o tudo, mas acima disso... Era o nada.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Crônicas de Hashgan - 2 - Elementais

Independente do quão inimaginável seja a vastidão do universo, do quanto se sabe atualmente ou do quanto irá se saber a cerca dele no futuro, as leis da física prosseguem intactas, diferente da dualidade do ser que inacreditavelmente, conseguiu se extinguir em alguns seres.

 Existiu há muitíssimo tempo atrás um planeta conhecido como Terra. A Terra possuía apenas uma lua como satélite e não tinha grandes proporções, mas isso não vem ao caso, tal planeta teve dezenas de deuses em sua curta duração, folclores curiosos e lendas estranhíssimas que atualmente se restringem à histórias catalogadas no grande livro da vida. Ainda assim,  lá um dos princípios básicos da dualidade na existência do ser e de tudo que existe no universo foi perfeitamente passada aos humanos, não pode haver o masculino sem haver o feminino, o bem e o mal, a luz e a escuridão, um completa o outro, além disso, nada existe em estado puro.

Bem, tudo seria incrivelmente mais simples se não tivessem desenvolvido alguns seres especiais que se distinguiam nessa multidão mesclada, nomeado os mesmos como Elementais, feito milhares de experiências com eles em uma nave clandestina que -sempre-, repetindo, sempre, sumia dos radares. Como rastrear o que não pode ser visto ou mesmo seguido?

Quando esse pesadelo veio a tona, revelando que seres de todas as raças conhecidas estavam sumindo sem deixar vestígios e a culpa não era dos contrabandistas nem dos mercadores, a coisa ficou um pouco mais complicada. Vistorias se tornaram obrigatórias em todo e qualquer veículo espacial, mesmo pequenos cubos de apenas um ou dois tripulantes, se tornaram suspeitos nas rotas de navegação, o conselho intergaláctico tinha reuniões frequentes com os principais líderes das galáxias e decisões cada vez mais drásticas foram tomadas.

A primeira emenda definia que todo e qualquer ser deveria possuir em si um chip de rastreio, este possuiria informações sobre seu planeta natal, sexo, nascimento e obviamente, sua localização.

Claramente isso não foi bem aceito. Era uma forma de proteção? Era. Mas também era inegável que se tratava de uma forma de controlar a todos, se o caso fosse isolado, apenas um ou dois planetas talvez a repercussão não fosse tanta, mas não, a emenda era clara, o chip era obrigatório para absolutamente todas os planetas, raças civilizadas e espécies hibridas, mescladas ou qualquer ramificação diferente que não estivesse catalogada ou registrada no sistema.

A revolta a partir da primeira emenda se iniciou em questão de um piscar de olhos. Vários líderes eram contraditórios à solicitação e detinham o apoio de praticamente todo comerciante importante nas linhas de comércio.

Então, a segunda emenda foi lançada.

 Nela foram mais radicais, quem não possuísse o tal chip implantado no pulso esquerdo, seria preso, passaria por um duro interrogatório onde seus pensamentos seriam invadidos a força e vistoriados pela polícia, após constatado que não se tratavam de meliantes, seriam liberados. Quem consegue levar uma vida normal depois de ter a mente invadida por um bando de lunáticos? Pois é, isso resultou em um grande número de seres vegetativos -o que o governo ignorou prontamente.

Os contrários ao sistema por sua vez, inventaram uma identificação falsa, ilusória, que apesar de implantada no pulso como o chip original, passava as informações que eles cadastravam, ou seja, não havia rastreio a ser feito, não havia código, dados verdadeiros ou qualquer coisa capaz de identificá-los além de suas respectivas características originais.

Daí surgiu a terceira emenda.
Essa totalmente contrária a tudo que no início era o objetivo principal do chip. Ninguém mais se lembrava dos tantos que haviam desaparecido, seus nomes, seus passados, tudo havia caído no buraco negro do esquecimento perante as exigências absurdas e os métodos hediondos de tortura do conselho. A terceira emenda pregava majoritariamente que qualquer individuo (independente do que fosse), utilizando um chip falso, deveria ser morto imediatamente, assim como aqueles que não possuíam identificação alguma.

E a partir disso o conselho intergalático ou governo, como preferir, veio a ruir.
Era inaceitável que o universo vivesse sob uma ditadura, inaceitável que concordassem com tantas vidas sendo tomadas inutilmente e absurdo que eles ainda julgassem estarem corretos.

Em 915 da Era Vermelha, como ficou conhecido o período de batalha contra as autoridades intergaláticas, os líderes de todos os planetas e galáxias, presentes na setuagésima reunião no glorioso planeta dourado, foram mortos.

O terrível massacre manchou as águas douradas com todas as cores existentes, penetrou para sempre na terra reluzente, tornando-a morta, seca. E por fim, corrompeu o núcleo do planeta com suas chamas alaranjadas, deixando que o mesmo queimasse eternamente com toda a dor causada por outros.

O que ocorreu a seguir não é difícil de ser deduzido, é? Os chips foram destruídos, um novo conselho foi formado, este com o consenso e aprovação do povo e os milhares desaparecidos, citados no começo dessa narrativa? Deles nada restara senão uma velha notícia de um passado sangrento.

Como um sopro, um leve suspiro ou riso esmaecido, o assunto em si se tornara um tabu. Ninguém queria passar às novas gerações que haviam lutado e conspirado para destruir um governo opressor que os obrigava a sinalizar absolutamente tudo que faziam na vida, torturava e em seguida matava seu povo. Era algo sombrio demais para ser passado adiante e talvez a Era Vermelha tivesse de fato sido apagada, se após a morte dos guerreiros, já no fim da vida dos netos daqueles que ajudaram a destruir o conselho, os Elementais não tivessem surgido.

Eles trouxeram a tona tudo o que deveria ter morrido. O medo, a angústia, o terror, as batalhas e dessa vez, o novo governo se uniu a todo o povo, e os seres antes torturados em prol do "avanço das espécies", privados de suas vidas e famílias, passaram a ser caçados.

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What's your poison?

Agnes ergueu a cabeça devagar, retirando as maças do rosto já vermelhas das palmas de suas mãos que outrora as protegiam. Respirou fundo e ainda relutante, aspirou fundo. O ar que adentrou suas narinas e percorreu sua pele não tinha mais o aroma gostoso das flores ou a doçura do orvalho, era somente gélido e lhe fez arrepiar a espinha e emitir um pequeno som de desagrado com a garganta.
Finalmente abriu os olhos, estes tão negros quanto o céu que se estendia acima de sua cabeça. Ao menos as estrelas lhe faziam companhia naquele cruel inverno que acabara de começar.
 Buscou a lua enquanto se levantava do chão, os pés descalços ainda quentes contra a grama e o vestido de alças finas se movendo em uma nostálgica dança de sinfonia muda.
Descontente pôde constatar que era cedo demais para ter total vislumbre do céu invernal e que apesar do último raio do sol de verão ter definhado no horizonte e se apagado na névoa, tudo a sua volta teria que morrer na lentidão agonizante do frio para que retornasse à vida na gentil primavera e finalmente lhe desse a alegria do doce calor.
A menina abraçou a si mesma, rodeando-se com seus braços finos e suspirou. Suas macieiras dormiriam, seus carvalhos esconderiam o esplendor de suas densas folhagens e não haveriam flores para lhe contar as novidades do dia. O canto dos pássaros pouco a pouco se extinguiria e apenas os corvos, corajosos corvos, entoariam sua cacofonia de sons formando um coral desigual perante a sinistra melodia dos lobos.
O inverno havia chegado e mais uma vez, estava completamente sozinha.

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A pequena correu ao se dar conta de que a noite se tornava mais e mais viva a cada instante, tropeçou nas pedras que formavam o caminho sinuoso por entre as árvores até sua cabana, abriu a portinha redonda depressa ao se deparar com a mesma e se enfiou lá como um coelho se esconde na toca.
Se apressou trancando seu refúgio, fechou as trincas, apertou os cadeados e em seguida rumou para as janelas, fazendo o mesmo.
Suspirou profundamente buscando a tranquilidade que desejava possuir e o domínio sobre si do qual sua conselheira sempre a avisara ser necessário. Sentou-se diante da lareira e jogou algumas toras ali, acendendo o fogo e enfim, envolvendo o corpo com uma grande manta verde-musgo, pôde respirar aliviada.
 O crepitar das chamas consumindo a madeira não era alto o suficiente para abafar a orquestra de murmúrios e lamentações que tomava forma na névoa crescente pela terra negra. Nem mesmo tapando ambas as orelhas, Agnes pôde abafar o desespero daqueles que clamavam por vingança, por vida, do lado de fora de sua protegida cabana.
As portinholas da janela moviam-se com brutalidade e pela pequena fresta que separava a porta do chão, viam-se sombras dançantes na escuridão. Ela não estava mais sozinha, isso era um fato, contudo... Também não estava acompanhada.
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"Bradai ó homem de bem tua singela prece, proteja teu ninho e tua ninhada. Eis o anjo da Morte, anunciando tua vil chegada"

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Continuo?