quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

E se te amar for pecado



Ato impensado, cigarros, bebidas e escarros,
Arrepios, passos arriscados,
Verdades mentirosas entre beijos escassos
E a imensidão profana do teu olhar devasso.

Me pega, me toma, retoma e reclama
Intitula, nomeia, submete e então remete
Adia o desejo ardido e o amor insano
Que queimam em conjunto com a tua tentação
Falsa ilusão, veneno da solidão que percorre e escorre
Que destrói e refaz o faz de conta do amor inventado
Ilustra, mente, seduz,
Na escuridão percorrida, infame reluz.

Em teus lábios ressecados, mordidos
Me sinto vendado, perdido
Preso por uma falsa luz de esperança,
Te sigo visando segurança,
Querendo teu amor e nada mais, nada mais.

Se te amar for um pecado,
Recordar cada momento e frase nostálgica
Faz de mim um pecador nato, apaixonado
Cercado por lembranças inseguras,
Teu amor passa a fazer parte de mim,
Um esquecido eu, tomado pelo culpado teu.

Jump, jump, jump! GO!



Seria fácil ceder ao impulso juvenil do suicídio social e mais fácil ainda seria se deixar levar pelas ondulações confusas de minhas próprias escolhas. Fácil. Então, o que é difícil?
É difícil sentir e entender o que se sente, difícil dizer e fazer tudo aquilo que se quer quando se tem um mundo de normas a serem seguidas e quebradas.
Na insanidade que vivemos, é difícil ser.

Take me out tonight

Não me nomeie diferente, não me nomeie ausente,
Tampouco presente ou mesmo indiferente.
Não me rotule, não me esqueça, não esqueça
De que sentir não é algo apenas meu ou seu.

Não me fale dela, não te falo dele, ou falo?
Não te peço muito, apenas o básico do essencial
Se não espera isso de mim, o que deveria eu, esperar de ti?

Nada, nada
Nada.
Afinal de contas tudo se resume nisso.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Síndrome de Estocolmo

Fiz um buquê de galhos secos que encontrei enquanto seguia a nossa trilha, rosas vermelhas murchas daquela velhinha de sorriso gentil e pele enrugada da qual sempre comprávamos plantas, flores silvestres cuja boa parte de pétalas haviam caído, colhidas pelos arbustos e muros verdes daquele vizinho chato, cuja campainha sempre tocávamos as escondidas.

Enfeitei tudo com um laço verde musgo, onde anteriormente eu mesmo bordara uma frase boba, apaixonada e ignorante do que o futuro nos traria, frase esta que você leu em voz alta para toda a sala de aula, se vangloriando e mostrando a todos o quão romântico eu poderia ser por você.

Cortei todos os espinhos, tive o cuidado de fazer com que aquele conjunto de incertezas, de falhas, fosse perfeito e que ao recebê-lo, você não se ferisse tanto quanto eu me feria ao fazê-lo. Queria apenas que ele chegasse até seus braços, que seus olhos se pusessem sobre aquela obra prima do descaso e do fracasso, que assim, quem sabe você fosse capaz de entender o que sua ida havia feito comigo.
Que talvez, ao entender isso, ao sentir pelo menos 1/3 do que sentia quando nos conhecemos, suas lembranças sobre tudo o que vivemos juntos, voltasse a tona.

Sei que não posso te trazer de volta, envolver seu corpo com meus braços, sentir seu cheiro doce e enrolar meus dedos em suas mechas rebeldes. Assim como também sei que nunca mais poderei ouvir o som carinhoso e baixinho da sua voz quando acordava, ou o tom ameaçador e rouco quando ficava brava e quando te fazia cócegas.

No fim das contas, sei que te perdi pra sempre.
Mas nada disso me impede de demonstrar meu amor, de levar toda essa vida quebrada até sua lápide e passar horas conversando com o nada, como se pudesse me ouvir. Desabafando sobre como foi egoísta me deixar, como fui egoísta em não perceber e acima disso, como fui idiota em te deixar morrer.

Agora, me vejo como esse buquê. Pássaro criado em cativeiro que se recusa a voar e deixar a gaiola, prisioneiro de mim mesmo, escravo da dor que restou, do vazio e da solidão, quebrado e ainda assim, vivo.

E pensar que nosso caso de amor acabaria assim, receba meu buquê, doce Amélia, receba da minha vida o fim, receba de braços abertos a mim.

Tons da noite


Os ombros se movem devagar, seguindo o ritmo que desce pela cintura esguia e se torna um rebolado nas curvas do quadril e das coxas, isso, enquanto os braços sobem e descem, serpenteando pelo ar juntamente dos cabelos que quase flutuam, se jogam em ondas castanho claras pelas costas e pelo pescoço alvo.
 Envolto em sua dança sequer me dou conta do que me cerca, em questão de segundos a música toma todo o ambiente, ecoa, ressoa. reclama a atenção de cada um para sua entonação, seus sentimentos e fascina, hipnotiza.
Assim, lá está você, envolta em misteriosos sentimentos que não cabem a ninguém além de si mesma saber, consciente, ciente. Pronta para aproveitar todo o tempo que tem, que escorre pelas palmas das mãos bonitas e prova mais uma vez, que nada é eterno, nem mesmo a dor, nem mesmo o amor.
Sem querer meu pé direito segue as batidas animadas daquela música que outrora já ouvira, presto atenção em cada movimento seu, tentando inutilmente decifrar a intensidade das cores do seu olhar, buscando entender e conhecer quantas sensações, sentimentos e histórias, seu forte e frágil corpo feminino guarda.
Sinto as gotas d'água escorrendo pelo copo de bebida que seguro, engulo em seco, você dança para si mesma e para mais ninguém, dança pra esquecer, aproveitar, sentir. Me dou ao luxo de imaginar sua rotina, mascará-la como à um personagem de um livro ou filme e tão logo a música acaba, te vejo sair da pista de dança, sozinha, a cabeça erguida e o peito estufado, passo por passo dado com a elegância do álcool presente.
Não parece triste, tampouco chateada ou feliz. Segue para uma das mesas e ali se deixa suspirar, o olhar perdido, apoia o queixo na mão e cruza as pernas, está acompanhada. 

Finalmente ergo meu copo e o levo até a boca, bebo tudo de uma vez em um gole desesperado.
Em algum momento pararia de tentar entender a solidão na humanidade, em algum instante por mais distante que fosse, me convenceria de que somos diferentes e que não haveria ninguém semelhante a mim ou a você, que os sentimentos não seriam os mesmos, que nada seria igual.

Mas por hora, me contento observando aqueles que me cativam a atenção, imaginando suas vidas a partir de doces momentos nostálgicos onde demonstram toda a juventude apesar da velhice, do cansaço e da dor, em sons, sabores, sorrisos e frases que se entregam, se deleitam do agora. Por hora, busco em outros um entendimento que se faça presente em mim mesmo e que explique, dentre todas as razões e problemas, o porquê de estarmos aqui.

Não somos pois, como a melodia? Transpirando sentimentos e vontades, desejos e anseios, por meio da arte, do olhar, da alma. Contraditórios e enigmáticos, fascinantes e tristonhos. Não existe apenas uma definição e triste seria se assim o fosse.

Deixo o copo sobre o balcão junto de uma nota que pague a bebida, levanto-me e procuro outra cena, outro espetáculo que me impeça de jogar tudo pro alto esta noite, algo que me roube a madrugada e quem sabe toda uma vida passe a ser real.



(Des) Faz


Me desfaço por completo,
Entre sorrisos sacanas, inocentes e pouco coerentes. Entrego de bandeja tudo o que me resta mostrar, escondo por instinto, talvez por timidez ou vergonha a pouca verdade a ser preservada, aquela sensação de vazio que entorpece e então, entre goles amargos que descem queimando pela garganta quente e pequena, me sinto fluir.

É como se lançar na escuridão, vendar os próprios olhos e se guiar pelos sentidos restantes. É ignorar a realidade. Tudo o que esperam de você, toda a expectativa e a razão, sendo lançadas goela abaixo em cada gole, olhar perdido e suspiro.

Não nomeie isso como fuga tampouco como liberdade, mas sim como deixa. Deixa, sim, deixa. Deixa seguir, deixa rolar, deixa viver. Se com vida a vida se entende, isso é com ela, não nos cabe saber nem mesmo entender, só seguir, somente fluir, voar e cair.

E de novo, me refaço.
Na esperança de que o momento seguinte não me desfaça.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

"Se"

Se ainda te quero, se ainda te espero,
Vai por mim, logo te supero.
Se a cada lembrança boa o avalanche de ruins não viesse a tona, te seguiria.

Te seguiria até o fim do mundo se isso fosse valer algo além de lágrimas.

Então me faça um favor, saia de mim de uma vez. Arranca essa sua marca na minha pele e leva contigo o vazio que deixou.

Se ao menos não fosse você, se ao menos não fosse eu.

Que se dane. Nosso caso morreu.

Etiqueta

De lá pra cá me virei do avesso,
Tuas palavras não merecem meu apreço,
Tampouco as marcas dos meus tropeços
Que insistem em querer um recomeço.

Me faço de fria, vilã e solta de tudo
Mascarada de falsa liberdade
Sei que é quase perjúrio
Mas cometo. Ajo. Faço.

Desfaço.  Por que não?
Não estamos mais envoltas em ilusão.
Prefiro me ater em curvas, em lábios,
Sorrisos e em amores desconexos.
Prefiro fingir, dançar entre abraços,
E sem querer, no inevitável vai e vem
Desfazer para sempre nossos laços.

Achismo

Vomita.
Escarra o que sobrou de mim em você,
Cospe, pisa, deixa de lado,
Mas não volte a consumir, esquece.

Esquece,
Aquilo que finge amar
Sequer se conhece.
É efeito da solidão, senão do cansaço.

Deixa de lado.
Iludir não adianta, não supre o desejo, a sede
Sequer aplaca o temor ou diminui a ânsia,
Só é, como um todo feito de nada, recheado do vazio.

De sua inércia nada quero, vomita.
Vomita logo e assim, seguimos adiante
Mutação constante, nômade de vida
Distante.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Boêmio


Boêmio
Que ou quem vive a pensar na diversão, sem grandes preocupações ou regras. 
Definição: Priberam.

Não digo que acredito em histórias de amor, assim como também não digo que as desacredito. Me chame de iludido, fraco e até mesmo covarde. Não me importo. Só não me chame de mentiroso, de falso e de irreal. Tudo o que sinto, senti e ainda sentirei, fazem parte de um todo, fazem parte do destino, de uma jornada e de não apenas vida, mas sim várias existências conectadas. Os caminhos seguidos por sentimentos exorbitantes e desesperados não devem ser julgados, tampouco analisados.

O coração sente o que quer sentir.

A alma padece por meio disso. Das sensações quentes que nos tomam nos braços entre abraços e beijos quentes, nos acalentam como uma mãe à um bebê, acalmam, ensinam e então, por fim, destroem.

Serei seu guia hoje,

Atenciosamente,
Amor.