segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sobre o hoje

Hoje tô MPB.
Sentindo cada poema com a pele,
Balbuciando e murmurando
Cada frase na ponta da língua.

Hoje tô Poesia.
Tristeza e dependência,
Carência e demência.
Hoje tô tropeços.
Erros, culpas,

Hoje tô seriedade demais.
Tô esboço em papel e carvão.

Amanhã vou acordar ritmo,
Quadril, pés, braços e abraços.
Beijos, quem sabe até mesmo descalços.

Mas hoje, me guardo.
Enrolo e suspiro.
Hoje tô MPB, doa a quem doer.


Cisco, rabisco, arrisco, existo?


Comecei falando de amor,
Despejei no papel alguns poucos versos,
Contei dores, recontei sorrisos, 
Dentre nossos inúmeros erros, excessos.

Deixei fluir os sentidos,
Me deparei com o vazio.
Rabisquei o que tinha escrito,
Joguei toda a dor no curso do rio,
E fui-me embora sem olhar pra trás.

Que o acaso se encarregue
Que o tempo leve, lave, entregue,
Ceda.
Mas que eu não ceda...
A essa insensatez momentânea,
Errônea,
Vulgarmente apelidada de amor.


Poesia Exagerada

São palavras vazias, tão cheias de vaidade quanto de cinismo. São gestos inexplicáveis, invisíveis, que se perdem na penumbra de sorrisos e pequenas mentiras.
São dias inteiros tomados pela ilusão, envoltos em uma névoa opaca e translúcida de aroma doce que remotamente lembra conforto e traz a acomodação.
É um romance ralo, seco, dotado de frases gentis e um desespero inato na condição de solidão que se faz necessária, se exclui, se inclui, e então se reinventa.
É madrugada, é tempestade, garoa, terra molhada e vento frio.
É tudo.
É nada.
Poesia é isso, e tão somente isso, infinita.

sábado, 23 de maio de 2015

Make a shadow

-Venho pensando muito nisso, em como as madrugadas nos depreciam. Venho pensando no quão pessimista posso me tornar desde a meia noite até as três da manhã, o que acontece com frequência às sextas. Bizarro, não acha, Méllie?
-Bizarro é você se dar ao trabalho de pensar em tudo isso quando deveria estar lá fora vivendo, B. -E dito isso ela fechou o notebook e me deixou sozinho em uma chamada de skype vazia, sozinho com meus pensamentos inquietantes e o pior de tudo, sozinho comigo mesmo.

domingo, 17 de maio de 2015

Achismos


As vezes acho que tudo depende unicamente da companhia, em outras vezes, depois de algumas doses de qualquer coisa, me pego pensando que é tudo uma questão de tempo.

Tempo, palavra estranha. Não parece entender sua real imensidão ou o quanto influencia e faz pesar a existência, parece inocente demais da própria culpa e isolada de si mesma, como se no tempo não houvesse tempo.
Coisa confusa, abstrata. Pensar no tempo entristece, faz o ar pesar e dá uma vontade nostálgica de fugir, sair correndo de tudo e todos e se jogar nas fantasias mais insanas que a mente pode criar, só pra se arrepender depois ou se deixar levar de novo.

Já pensou em quanto tempo perdemos nos preocupando com futilidades? Quanto tempo perdemos nos importando e depois, lamentando?
Já pensou na possibilidade de parar tudo, voltar atrás ou avançar? Como uma fita VHS ou dvd, um player na internet ou um programa pra reproduzir vídeos, ter o controle sobre o tempo e poder evitar suas consequências, alterá-lo? Acho que em determinado ponto da vida, todos desejamos ter essa habilidade, talvez por saudade, talvez culpa, só sei que é. Não tem como evitar as lamentações, não quando se conhece e se importa com algo ou alguém, de repente até uma discussão onde você poderia ter saído por cima.

Mas daí a gente volta pra realidade, não tem como mexer no tempo, é ele que mexe na gente.
É ele que toma nossa juventude em leves momentos que ficam pra trás e também é ele que nos traz ou leva aqueles que amamos.

Cruel.
Traz rugas e marcas da vida, evidencia males e mata devagar a inocência perante o mundo, as vezes destrói a fantasia que ele mesmo criou. Tempo de mais, tempo de menos. Parece nunca estar certo, nunca ser suficiente.

É como se tivéssemos tudo que é necessário ao alcance de nossas mãos, mas não no momento certo, não no momento em que precisamos. É triste. Faz soar como uma jarra de cristal se quebrando, caindo da ponta da mesa e se despedaçando em um baque alto contra o chão, por um instante quase surdo e então assustador, tão simples de quebrar.

E o que seriam os instantes? Os momentos mais dóceis como os beijos, os sorrisos e os abraços? A duração da sua música preferida, segundos, minutos, talvez horas, dias, semanas, anos...Séculos. De repente não parece que temos a real noção do que é tempo.

No fim das contas é melhor continuar pensando que tudo depende da companhia, não acha?

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Tropeço


No conjunto de curvas errôneas me pego despreparada,
Isolada, atordoada, quem sabe até mesmo assustada.
Quem foi que me iludiu com essa falsa ideia de perfeição?
Quem plantou essa errata tão profunda em nossas palavras?

Refaço meus passos, estico, alongo e suspiro.
De repente a sapatilha soa como castigo.
O meu tudo se assemelha ao nada,
E dentre comparações exasperadas, fujo amedrontada.

Sigo o ritmo, pronta pra ser quebrada,
Pronta pra cair ao menor sinal de erro, ao passo mais simples
Que me leva consigo em um turbilhão de ideias erradas
Das quais sequer compartilho.

E assim prossigo, na esperança que o passo,
O giro e a queda, não sejam os últimos.
Em uma jornada onde nada é perpétuo,
Senão a velha beleza ditadora da perfeição imperfeita.

Destemidos

Já abriu os braços e girou em torno de si mesmo, movendo os pés cada vez mais rápido, de olhos fechados ou abertos, até a tontura te tomar por inteiro e te fazer cair?

Já impulsionou o corpo para trás e para frente em um balanço, forçando-o a ir cada vez mais alto, tão alto quanto possível, fazendo com que apertasse suas mãos nas cordas até que os dedos perdessem levemente a cor?

Esse tipo de coisa, sabe? Tão sútil e simples, normalmente pequenos delitos cometidos na terna infância. Sensações que se têm ao observar as nuvens sendo carregadas pelo vento em leves tiras que se amontoam e se unem em camadas sob o céu azul infinito, nuvens que somem no horizonte mesclado de cores como uma aquarela única, no pôr-do-sol da vida, no nascer do sol no tempo, no ir e vir dos sonhos.

Desejos.

Falando assim até parece besteira, poesia, palavras pintadas e maquiadas pra se fazer valer a verdade da intenção e a ilusão da beleza nata. Besteira, besteira sim. Mas não desse tipo fútil e egoísta.
Besteira é perder o espetáculo do "tudo" que temos porta a fora, bobeira é perder todo esse caminho gigantesco que o céu nos dispõe com suas constelações e estrelas mortas que ainda reluzem por você e unicamente pra você.

Egoísta é se deixar viver preso, é se sentar e preocupar com coisas que afinal não valem a pena. Fútil é se algemar em ideais e sonhos, metas que não são realmente nossas, besteiras fundadas por aqueles que se esqueceram qual o verdadeiro sabor do mistério delicioso chamado vida.

Recomeçar depois de cair não parece tão difícil assim, depois de tudo isso. Parece?

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ma Mémoire Sale


"Lave
A minha memória suja neste rio de lama,
A extremidade da tua língua me limpa por toda parte,
E não deixa mais o mínimo vestígio
Daquilo que me prende e que me cansa.
Infelizmente!

Cace,
Persiga-a em mim, é apenas em mim que ela vive,
E quando a tiver na extremidade do teu fuzil,
Não ouça se ela te implora,
Você sabe que ela deve morrer de uma segunda morte
Então, acaba com ela... outra vez.

Chore!
Eu tenho feito isso antes de você e não adiantou nada,
Quão bom são os soluços (de choro) inundando as almofadas?
Eu tentei, eu tentei
Mas tenho o coração seco e os olhos inchados
Mas tenho o coração seco e os olhos inchados
Então

Queime!
Queima no momento em que se envolve na minha grande cama de gelo
A minha cama como uma banquisa que derrete quando você me entrelaça
E mais nada é triste e mais nada é grave
Se tenho... o teu corpo como uma torrente de lava
A minha memória suja neste rio de lama"
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Quem me conhece realmente bem sabe que eu adoro filme francês e adoro dramas. Bem, Les Chansons d'Amour me encantou tanto que resolvi colocar aqui a minha canção preferida do filme, traduzida. <3



sábado, 2 de maio de 2015

Why can't I be you?

Jogue toda sua culpa em mim, não é como se me importasse de verdade. Lance sua dor, sua loucura e até mesmo seu desejo, mas não me jogue seu amor.
Não me enlace em seus braços, não entone o encanto, não me iluda, se no fim das contas, tudo o que deseja de mim poderia encontrar no horizonte.

Me dê sua loucura, seus momentos mais doces e mais gentis. A alegria e a cantoria, a dança, os sabores e os aromas, me dê sua juventude, tudo aquilo que ainda faz parecer que existe um sentido.
Não me dê sua filosofia, seus sentimentos mais profundos e seus pensamentos mais bizarros. Não me dê o eu, que prometeu não entregar a ninguém.

Cuspa a mentira entre seus dentes perfeitos, deixe que ela escorra pelos dedos enquanto rodopia e corre em direção ao nada, ao tudo. Mas não espere que siga em sua companhia, não espere que entenda, que concorde.

Existe muito mais em um simples olhar do que jamais se poderá compreender.
Portanto, jogue sua culpa em mim, diga que o erro é meu.
Mas não espere nada de mim além da velha e comum condescendência