domingo, 17 de maio de 2015

Achismos


As vezes acho que tudo depende unicamente da companhia, em outras vezes, depois de algumas doses de qualquer coisa, me pego pensando que é tudo uma questão de tempo.

Tempo, palavra estranha. Não parece entender sua real imensidão ou o quanto influencia e faz pesar a existência, parece inocente demais da própria culpa e isolada de si mesma, como se no tempo não houvesse tempo.
Coisa confusa, abstrata. Pensar no tempo entristece, faz o ar pesar e dá uma vontade nostálgica de fugir, sair correndo de tudo e todos e se jogar nas fantasias mais insanas que a mente pode criar, só pra se arrepender depois ou se deixar levar de novo.

Já pensou em quanto tempo perdemos nos preocupando com futilidades? Quanto tempo perdemos nos importando e depois, lamentando?
Já pensou na possibilidade de parar tudo, voltar atrás ou avançar? Como uma fita VHS ou dvd, um player na internet ou um programa pra reproduzir vídeos, ter o controle sobre o tempo e poder evitar suas consequências, alterá-lo? Acho que em determinado ponto da vida, todos desejamos ter essa habilidade, talvez por saudade, talvez culpa, só sei que é. Não tem como evitar as lamentações, não quando se conhece e se importa com algo ou alguém, de repente até uma discussão onde você poderia ter saído por cima.

Mas daí a gente volta pra realidade, não tem como mexer no tempo, é ele que mexe na gente.
É ele que toma nossa juventude em leves momentos que ficam pra trás e também é ele que nos traz ou leva aqueles que amamos.

Cruel.
Traz rugas e marcas da vida, evidencia males e mata devagar a inocência perante o mundo, as vezes destrói a fantasia que ele mesmo criou. Tempo de mais, tempo de menos. Parece nunca estar certo, nunca ser suficiente.

É como se tivéssemos tudo que é necessário ao alcance de nossas mãos, mas não no momento certo, não no momento em que precisamos. É triste. Faz soar como uma jarra de cristal se quebrando, caindo da ponta da mesa e se despedaçando em um baque alto contra o chão, por um instante quase surdo e então assustador, tão simples de quebrar.

E o que seriam os instantes? Os momentos mais dóceis como os beijos, os sorrisos e os abraços? A duração da sua música preferida, segundos, minutos, talvez horas, dias, semanas, anos...Séculos. De repente não parece que temos a real noção do que é tempo.

No fim das contas é melhor continuar pensando que tudo depende da companhia, não acha?

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