domingo, 21 de junho de 2015

Cristálico

"Não passávamos, formosa Rainha,
De dois rapazes que julgavam nada mais haver
Para além de um amanhã igual a hoje,
E que pra sempre rapazes seriam."
Shakespeare- O conto de Inverno


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Sabe o que significa Auto-destruição? Talvez saiba bem até demais o que isso implica àquele que a carrega, então, deixe-me refazer a pergunta. Sabe o que significa amar? Sabe de verdade qual é a sensação apertada e quente que te aflora no peito quando um sútil pensamento, uma leve lembrança, te acalenta a mente?
Saberia descrever o sabor do beijo? A maciez dos lábios e os toques gentis das línguas e braços? Tu seria capaz de amar?
É assim que tudo começou, é assim que tudo sempre vai começar. Nesse ciclo infinito de reencarnações onde te conheço e me banho em tua doçura, onde me apaixono por cada olhar e cada toque, só pra te perder e ser deixada sozinha.
Sozinha.
Tem alguma ideia do peso real dessa palavra? Não, não tem. A cada vida tu morre mais e mais, finda, deixa findar, mas não fica. Não sente como é ficar, não sente como é ter de te ver derramar tuas últimas lágrimas embrigadas de dor e pesar.
Esse papel é meu.
Essa maldição é minha.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Pratique


Pratique o desapego,

Pratique erros e então
Pratique desculpas.

Pratique acertos,
Quem sabe alguns tropeços.

Pratique. Mas pratique mesmo.

Pratique deixar,
Pratique reencontrar,
Pratique amar.

Pratique por praticar.
Aprenda e desaprenda.
Se tem sentido ou não,
Pratique pra saber.
É difícil falar dessa data, difícil porque dentre todos os dias do ano, esse é o que me pego mais vulnerável. É o dia "x" no qual me sinto uma menininha perdida e pequena, acuada em algum canto da casa e provavelmente olhando pro céu (sim, já que eu fazia muito isso quando era menor), é o dia "x" e o é sem nenhum motivo.
Não tenho experiências traumáticas no meu aniversário, não tenho situações ruins pra contar nesse dia que arruinaram minha visão de aniversário, eu só fico triste e isso é tudo. É como se fosse errado festejar essa data, como se tivesse algo errado nas felicitações e como se eu estivesse errada em fazer parte disso, estranho né? Pois é, desde criança me sinto assim e bate aquela tendência ALTA ao isolamento.
E o errado na história toda é isso, tenho amigos maravilhosos que tentam de tudo pra me animar, pessoas que amo ao meu lado e estranhamente recebo um "Parabéns" até de quem não esperava.
Ainda assim, não gosto desse dia.
Com o passar do tempo, conforme fui crescendo, fui passando a detestar mais e mais a data 19/06. Agora completamente 21 primaveras nas mãos, só consigo abraçar o travesseiro e dar play em mais e mais músicas que por ventura consigam me animar.

Meeeh, essa crise de Peter Pan tá foda.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Súplica


E se nossos suspiros fossem dados enquanto ainda havia tempo?
E se essa lua que brilha insólita e cruel, nesse céu que nos retém, ainda fosse testemunha de cada batida em teu peito febril?
E se essa terra que nos abriga, esse chão enlameado e sujo, expulsasse dele a pureza do nosso sentimento? Expelisse assim, simplesmente, se recusasse a aceitar tão puro amor e o devolvesse a tão perdida e confusa vida?

Se enquanto embalo teu corpo inerte em meus braços já dormentes, a luz prateada das estrelas desse negrume sem fim, resolvessem agir e me deixassem ir contigo, tu me aceitaria?
Tu me aceitaria tão inteiramente em teu gélido ser? Tua solitária e perdida alma aceitaria aquele que te amou em vida?

Ou será que em minha inocente e incoerente paixão, meu devaneio infantil e ingênuo de amor, tu me culparia por todos aqueles espinhos que a ti destinei? Será que tu me devolveria à escuridão que me atormenta a cada dia, depois de tua ida?

Imploro agora para que os céus e as terras, os mares, as águas e tudo aquilo considerado sagrado no imenso segredo do universo, que façam o tempo parar e retroceder.
Voltar.
Tão simplesmente, em um piscar de olhos, senão mais rápido do que isso.
Voltar.
Retornar para tudo aquilo que me dava sentido à sentir, devolver a mim aquilo que por um instante tão vasto me fez querer correr em direção a tempestade e abraçá-la com todo meu ser, me deu a insanidade da dor de amar.
Imploro que o tempo volte.
Imploro que tu volte.
E assim me impeça de padecer na escuridão da dor, na solidão gelada e cortante na qual tu me deixou, nessa amargura profunda e amor que lentamente se torna mais e mais grande com um tipo de saudade que não se mata, não se sacia. Uma sede tão forte de teu gosto, de teu cheiro e teu corpo, que o meu só sabe chorar e definhar sem tua tranquilizante presença.

Tu foi me deixando devagar, os olhos piscando lentamente, o ar faltando no peito aberto pelo buraco de bala.
Tu foi me deixando devagarinho, tua mão tocando meu rosto e entrelaçando na minha, rogando que tudo ficaria bem, tão somente bem quanto deveria estar enquanto a vida seguia seu curso.
Senti cada batida falha de teu coração ferido, cada impulso de teu ser em lutar contra a morte e por fim, assisti enquanto tu me deixava para todo o sempre e se jogava de braços abertos, saltando do precipício sozinha.

Não te deixei ir.
Não me deixe.
Insisto que fique ao meu lado, que fique comigo.
Não me deixe sozinho. Não me abandone.
Volte.
Ou pelo menos, me leve contigo.


--Baseado na minissérie Amorteamo--