sexta-feira, 5 de junho de 2015

Súplica


E se nossos suspiros fossem dados enquanto ainda havia tempo?
E se essa lua que brilha insólita e cruel, nesse céu que nos retém, ainda fosse testemunha de cada batida em teu peito febril?
E se essa terra que nos abriga, esse chão enlameado e sujo, expulsasse dele a pureza do nosso sentimento? Expelisse assim, simplesmente, se recusasse a aceitar tão puro amor e o devolvesse a tão perdida e confusa vida?

Se enquanto embalo teu corpo inerte em meus braços já dormentes, a luz prateada das estrelas desse negrume sem fim, resolvessem agir e me deixassem ir contigo, tu me aceitaria?
Tu me aceitaria tão inteiramente em teu gélido ser? Tua solitária e perdida alma aceitaria aquele que te amou em vida?

Ou será que em minha inocente e incoerente paixão, meu devaneio infantil e ingênuo de amor, tu me culparia por todos aqueles espinhos que a ti destinei? Será que tu me devolveria à escuridão que me atormenta a cada dia, depois de tua ida?

Imploro agora para que os céus e as terras, os mares, as águas e tudo aquilo considerado sagrado no imenso segredo do universo, que façam o tempo parar e retroceder.
Voltar.
Tão simplesmente, em um piscar de olhos, senão mais rápido do que isso.
Voltar.
Retornar para tudo aquilo que me dava sentido à sentir, devolver a mim aquilo que por um instante tão vasto me fez querer correr em direção a tempestade e abraçá-la com todo meu ser, me deu a insanidade da dor de amar.
Imploro que o tempo volte.
Imploro que tu volte.
E assim me impeça de padecer na escuridão da dor, na solidão gelada e cortante na qual tu me deixou, nessa amargura profunda e amor que lentamente se torna mais e mais grande com um tipo de saudade que não se mata, não se sacia. Uma sede tão forte de teu gosto, de teu cheiro e teu corpo, que o meu só sabe chorar e definhar sem tua tranquilizante presença.

Tu foi me deixando devagar, os olhos piscando lentamente, o ar faltando no peito aberto pelo buraco de bala.
Tu foi me deixando devagarinho, tua mão tocando meu rosto e entrelaçando na minha, rogando que tudo ficaria bem, tão somente bem quanto deveria estar enquanto a vida seguia seu curso.
Senti cada batida falha de teu coração ferido, cada impulso de teu ser em lutar contra a morte e por fim, assisti enquanto tu me deixava para todo o sempre e se jogava de braços abertos, saltando do precipício sozinha.

Não te deixei ir.
Não me deixe.
Insisto que fique ao meu lado, que fique comigo.
Não me deixe sozinho. Não me abandone.
Volte.
Ou pelo menos, me leve contigo.


--Baseado na minissérie Amorteamo--

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