quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Prometo!

Aclama a doçura mas não a acentua,
Desnuda a carência mas não a inocência.
Só não impeça que o sorriso volte,
Só não se desfaça do que ainda te preenche.

Se for infantil, que seja!
Se for melodia, deixa soar!
Não há mal algum em errar,
Tampouco em o mundo explorar.

Deixa sorrir, deixa sangrar,
Deixa sentir, se deixa viver.
Que mal há em sua própria vida
Percorrer?

Chuta essas regras! Levanta daí!
Ser social e correto o tempo todo,
Não faz o estilo de ninguém,
Afrouxa essa gravata.
Desce desse salto.

A seriedade cabe pra momentos,
A sua criança interior por outro lado,
Cabe pra sempre, pra um todo.

Se for bobo, se for infantil
Se for sorrisos, se for contradição
Rebeldia nata ou simplesmente o mais leve imaginar,
Deixa ser, deixa estar.

Acorda amiga,
Se permita sonhar.

Flores


Nosso tempo passou depressa,
Tão veloz quanto um piscar de olhos.
Durou tanto quanto a vida de uma flor
E assim como ela, entre discussões e golpes,
Murchou.

Não sei se acompanha o que restou,
Se as lembranças são boas ou ruins,
Ou se tudo o que sobrou
Foram somente os espinhos.

O que guardo pra mim,
Naquele relicário delicado que me deu,
É que foram bons tempos
Apesar de uma boa dose de dor de cabeça frequente.

Mas que nada daquilo,
Absolutamente nada, vai retornar.
Foi o que tinha que ser,
Deu.
Passou.

E é por isso que de você,
Não espero nada mais do que educação.
Distância e talvez, quem sabe
Algumas boas lembranças.

I can't


Hoje me peguei pensando,
No quão dependente me tornei.
Do quanto sua presença significa pra mim,
E cheguei a conclusão de que sinto sua falta.

Sinto falta das risadas,
Sinto falta das reclamações,
Dos desabafos, mas,
Acima disso, sinto falta da amizade.

Sinto falta da sua presença.
Sinto falta de você.

E mesmo que a gente ainda converse,
Vez aqui, vez acolá
Nada nunca vai voltar.
Não seremos mais aquelas garotas bobas de anos atrás.

E você nunca será minha melhor amiga de novo.

Eu não sei da sua vida, você não sabe da minha
Não compartilhamos esse tipo de informação.
Os apelidos se foram e com eles a ilusão.

Me pergunto se deveria ter ido te ver quando tive a chance,
Volto atrás.
O que diria?
O que faria?

Uma amizade de várias vidas que enfraquece
Um pouco mais a cada ano.
Onde vamos parar nesse ritmo?

Luv!


Se a doçura não me obrigasse a suspirar,
Se os sorrisos não fossem capazes
De os dias cinzas, superar...
Como eu poderia sinceramente,
Te amar?

Como dentro de tanta insensatez,
Ainda caberia amizade,
Depois de tantos tombos,
Tanta falsidade?

Se fosse tudo seriedade,
Se fosse embriaguez matutina,
Ressaca vespertina, e 
Feriado perdido, como poderia eu
Ainda assim, te oferecer um ombro amigo?

Iluda-se, deixe iludir
Deixa sentir, deixa fluir
Tropeçar pode ser divertido,
Me dá a mão, caminha comigo.
Se fosse tudo seriedade,
Qual seria a graça em viver
Se prendendo atrás de grades?

Undead, undead, undead


Deseje.

Rastejamos pela terra fresca, úmida e pesada. 
Em nossas unhas carregamos o valor das lembranças e da consciência que em nós, não mais opera. 
Em nossas unhas podres, roxas e cheias de vermes, carregamos os sentimentos que ainda resistem ásperos no peito febril.
 Imploramos vezes seguidas em súplicas sem qualquer vestígio de orgulho, por um pouco de atenção da lua e calor do sol. Pedimos com todo nosso ser, nossa essência restante separada da carne (inerte), pelo amor que a vida nos deu e a própria vida tomou.
Gire a chave no gigantesco cadeado que acorrenta nosso mausoléu, não lhe faremos mal, posso te assegurar isso! Mas ainda peço que nos ajude a romper as barreiras de madeira e terra que nos separam do seu mundo. Ainda peço que acredite em mim, que acredite em nós e nos aceite de bom grado.
Nos aceite de volta em um mundo que foi tão nosso, quanto é seu. E que um dia não passará de uma reles lembrança em sua alma errante e sozinha que na neblina caminha em busca de mais.
Somos aqueles que fizeram do silêncio, sua casa.
Somos aqueles que lamentam, que se arrependem mas que fariam tudo igual novamente.
Em nossos olhos vazios repousa o descanso, o destemor e o dessabor que só o sepulcro pode providenciar. Em nossos lábios lilases se encontram borboletas como nunca vistas antes, capazes de voar o mais alto possível, ir tão longe quanto se pode ir, de morder com uma força que jamais diria ser nossa.
Em nossas línguas histórias se criam como a fina névoa da mais pura magia e da morte, criamos assim a fantasia, o terror e finalmente a vida.
Esse arrepio que te brota na espinha quando o relógio badala e anuncia a meia-noite não é nada perto do que podemos fazer, mas, não encare isso como uma ameaça, de certo deve entender que não temos muito o que fazer em nossa imensidão de tempo restante e tão logo, assustar se torna divertido, o temor de outros, para nós se torna abrigo.
Sei que aqui entre nós, você provavelmente possui um querido. Então me diga, o que te impede de romper o lacre, doce Bárbara? 
Prefere encarar os fantasmas ou os mortos que caminham? Prefere ouvir nossos sussurros, cânticos e lamúrias que somem quando passam por paredes e portas, que se escondem nas trevas e estão sempre, sempre observando, ou prefere acabar com tudo em um rápido tiro na testa?

Nós estamos vindo por você.
Nós estamos vindo pra pegar você.
E como bem sabe, não há absolutamente nada dentro de seu alcance que possa fazer.
Não há como evitar que os mortos batam à sua porta ou puxem seu cobertor.
Não existe forma alguma, solução ou equação que a livrará de encarar seus medos.
Então, você virá nos visitar, Bárbara?
Virá nos ver enquanto nos levantamos em busca de carne com nossos ossos a mostra e em estado avançado de putrefação? 
Você assistirá enquanto arrastamos nossas mortalhas em uma lenta procissão rumo ao fogo e a destruição?

Afinal, você trará um bolo como fez Bedélia? Ou somente virá, Bárbara? 



Lobo(tomia)


Na multidão decorada por circuitos, fiação e solidão
Me vejo refletida no negrume dos seus olhos,
Assim como você também se vê nos meus.
Seria tudo tão cinza quanto nos parece ser?

O espelho opaco não mais reluz,
Se recusa a aceitar qualquer vestígio,
Por mínimo que seja o lampejo,
Finda conforme o gelo corta.

Na multidão que caminha incerta,
Na marcha dos mortos de toda manhã,
Na ausência do choro bruto e na inércia do sonhar,
Nos encontramos e na escuridão por escolha e opção,
Residimos.

Como perdidos, para todo o sempre e além,
Quebrados.
Na ausência do sentir, a dor se inicia.
E na ignorância de viver, por si só, ela finda.

Eis que um flash de luz se faz presente,
Inconsciente do quão especial pode ser,
Ele reata os laços, refaz-se do que um dia
Foram apenas cacos.

A luz se apaga, retorna, retoma
Mas nunca, nunca fica.
Ela se recusa a fazer parte da marcha,
Se recusa a quebrar o ciclo.

E então, sem mais delongas
Os cacos vão ao chão,
Quebrados de novo, quebrados então,
Abraçamos por fim nossa única companheira,
Solidão.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Heart heart head


Da ampulheta rachada pouco restou,
Senão somente o nada que a própria areia levou.
As lembranças embaralhadas se mesclam
Diariamente com achismos e ilusões, os quais
Se perdem entre sorrisos bobos e eufemismos,
Que surgem com a distância e a carência de sentidos.

As marcas restaram, por que sumiriam?
As marcas restaram, diria até que se multiplicaram,
Inundando de fel a palha, matando os grãos
E envenenando com sua amargura bruta,
Dificultando pra sempre o desenvolvimento do trigo.

Quais eram os detalhes da faca em especial?
Se tudo não passou de delírio,
Que a mente, que o tempo
Que o próprio sentimento ausente em dor não mais latente,
Se encaminhem por apagar.

E que a ampulheta nunca mais,
Por tudo que ainda lhe é de algum valor,
Volte a se consertar. 

Monster


No prelúdio da abrupta repartição
A deixa, a incerteza e a solidão refletem
Entre verdejantes caminhos obscuros
De raízes mesquinhas e traiçoeiras.

Nos espinhos se escondem as facetas,
Máscaras, pinturas e anseios.
Enquanto nas folhas todo o restante
Extenua-se.

Eis que o som do violino não mais
Sobrepõe a canção matutina do horror,
E dentre o sútil elogio a loucura,
Brota de si, por ironia pura
O amor.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Hoshikuzu

Ninguém havia dito o quão excitante o som seria ao repercutir no ar, ao vivo. Nem mesmo como a união de vozes cantando em uníssono me faria ficar completamente arrepiada. Ninguém nunca havia se dado ao trabalho de explicar como era sensação gostosa de encontrar uma música que te identifica, que te muda e te faz sentir completamente diferente. Também não ajudaram a encontrar algo que fizesse isso comigo.
Na verdade, a música era só um acompanhamento para momentos de tédio nos quais a TV não fazia falta. Não existia aquela busca por mais daquilo que se gosta de ouvir, não era um prazer real mas sim um momentâneo deleite.
Foi em meados da descoberta do Power Metal que tudo se tornou mais vivo, de repente o hard rock e o classic rock se faziam mais incríveis do que nunca, o heavy, trash e doom metal se tornavam mais e mais comuns no dia a dia. O pop, jazz, clássica e até mesmo blues passaram a ressoar pelo ar e toda a confusão que a vida se tornou, se agravou menos, se aliviou mais.
Afinal de contas nada poderia ser tão confuso e complicado que o dia seguinte não mudasse, que umas músicas novas ou uma recém descoberta banda, não aliviasse o emocional.
Fugas temporais são necessárias pra que não se morra por dentro, reflexões estranhas sobre sensações e músicas, podem ser saídas viáveis para o tédio rotineiro e sentimentos exacerbados.

domingo, 20 de setembro de 2015

So blame your life on me

"Existe um universo inteiro dentro de cada um"
--


O fino corte da navalha que percorre tua linha é rebelde,
Incerto e errante ele prossegue trêmulo.
Bipolar ao extremo,
Decidindo se sim ou se não.


Teu reflexo no espelho é translúcido
Pálido, quase opaco
Tonalidade estranha, coisa de gente inquieta
Coisa de gente perdida.


Estaria afinal desistindo
Da sua eterna teimosia,
Minha triste amiga?



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

If you say so


Faz parte de uma questão de princípios.
Ceder aos rumores obscuros e libertinos de ideias sem prisões morais pode soar de forma aterradora. Aceitar que nem tudo é preto no branco, mas uma junção, um labirinto em espiral de cores e sentidos, é de certa forma libertador.
Não é algo que exige real coragem tampouco algo que a dispense.
Nem sempre a escuridão é aterradora, nem sempre a luz é capaz de apaziguar seus demônios.
Ceda ao seu instinto e descubra pra qual lado da força (no momento) sua paixão tende.



terça-feira, 15 de setembro de 2015

I am the one no one can see



"Ao meu grande amigo,
Que por vezes inimigo se torna,
Eis meu mais sincero obrigada.

Se um dia, eu por ventura do destino
Deixar de recorrer a ti em qualquer situação, 
Oras, não se surpreenda
Ao me encontrar louca ou morta.

Sua existência deprimente,
Demente,
Decadente,
Horrenda e satirizada,
Ainda me mantém tranquila,
Quando nada mais é capaz disso.

Passe o tempo que passar
Ainda irei te acompanhar,
Como uma boa fã de carteirinha
Que sou, não te abandonarei.

Terror,
Para todo sempre.
Para mim,
Uma grande forma de amor."


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~~~x Nota da autora x~~~
Certo, agora encerro novamente a maratona de poemas. Acabei inspirada em escrever coisinhas de terror porque bem... Estou doente e acabando com a bateria do celular ouvindo música, por que não tentar algo?
Sou uma amante de filmes de terror, histórias de terror, músicas mais sinistras do que o costumeiro e etc, desde que me entendo por gente. Tenho 21 anos e o mundinho sobrenatural do horror ainda é um tremendo refúgio. O que eu posso fazer? Mentir não vou.
Me chame de gótica, de estranha ou o que quiser. Isso faz parte de mim e não acredito de verdade que um dia vai deixar de fazer.

Agora, sobre o HIATUS:

-Não sei quando virei até aqui e postarei alguma coisa, de verdade. Minha inspiração anda pra lá da China e como retornei ao mundo das fanfic's, quando consigo algo -> Vai tudo pra lá.

-Me perguntaram se eu vou deletar o blog.
Não. Não vou apagar o A.H., nunca pensei que diria isso mas sou incapaz de apagar esse pedacinho meu aqui. Isso porque ele vem sendo incrivelmente importante pra mim. É refúgio, é psicólogo, é depósito de sentimentos, de ideias, dor, angústias, amor. É meu. É uma parte minha e apagá-lo seria trair a mim mesma. (?)

-Me perguntaram se eu pretendo esquematizar a vida da Amélia, 33B, G.H. e Mara.
Não. De verdade, não vai rolar. Cada um deles é um pseudônimo meu pra determinados momentos ou inspirações. Algumas coisas que eles sentem, eu senti em determinado momento e outras são só ficção. Mas assim como o blog eles são uma forma de depósito de palavras. São e não são "K". E eu estaria mentindo se dissesse que eles vão ter historinhas bonitinhas e organizadas, com começo, meio e final feliz. Não pretendo MESMO, pelo menos não agora. Vai saber o futuro?

Respostas dadas, certo? :3
Obrigada por acompanhar o blog apesar dessas idas e vindas errôneas que ando tendo por essas bandas.
See ya, K.


No one


Brada.
Deixa repercutir tem uivo de paixão e horror,
Deixa sangrar pelo som o que ecoa sem prisão.
Aterroriza a própria liberdade que se recusa
Em doces doses de veneno, a soltar-te.

Brada.
Ignora esse censo ridículo de proteção,
Essa venda que te puseram, rasga.
Arranca de ti o que te prende.
Brada.
Mas brada com vontade.
Infla o peito e destrói essas luzes falsas.
A que te interessa é grande o suficiente pra ser vista em qualquer lugar do mundo.

Aceita a companhia da noite,
Aceita tudo o que ela tem a oferecer,
Do melhor ao pior, só isso...
Só isso e nada além, vai ser capaz de te satisfazer.

O cheiro do orvalho, do musgo e da terra molhada,
Do sangue, do suor e do terror.
Se é o que tão profundamente anseia em leito febril,
Entrega-te.
Dá-se de corpo e alma.
Brada.
E deixe a fera aulir. 

No one can see


A frieza o consome em tragos letárgicos,
O brilho em seus olhos desapareceu por completo.
A galáxia em constante explosão de sua alma, implodiu.
Não existe mais coisa alguma capaz de fazê-lo se focar.

Quais seriam seus pensamentos?
Haveriam ainda sentimentos?
Ou a mortalha que lhe revestia o pálido e incorpóreo ser
Lhe roubara até mesmo isso?

 Entre flash's confusos de realidades inúmeras
Translucidas e perdidas
Se via sozinho.
Se via em busca de alguém que o entenderia.

Sem falar, sem ser visto.
Sem ser notado.
Sem ser sentido.
O que poderia restar a ele, sem uma vida?

Wo-Oh


Se desfez a ânsia pera aurora.
Seu resumo sem remorso arde.
Refez-se a luz por intermédio de Apolo,
E tão logo o apogeu se esvai em tão amortecido relato.

Do Leão, da Pantera e da Loba
Nada restara então.
Se os tornasse a encontrar, enfrentaria.
Se os tornasse a ver, não recuaria.
Ou quem sabe até o fizesse,
Iludido aquele que com certeza afirma o que não pode ser confirmado.

De fato as trevas não mais o escaveiravam,
Jazia em seu peito certa destreza na escuridão que ternamente o acolhia,
Da loucura humanizada em temores primórdios, nada restava então.
Abraçava o breu sepulcral que em suas entranhas vivia.

Não mais o pio da coruja o alertava,
Não mais o canto do Rasga-Mortalha lhe era mau agouro.
Não mais.
Das milhares de pernas, braços, olhos e cabeças a espreita
Apenas o rubro em insólito canto como uma fonte, se ergueria.

Em sua pele Marte residia,
Decidiu-se sacudindo o mármore em latente sentimento:
Aquele que não teme o Nada, destemido não é,
Covarde tampouco, apenas consciente.

Seus ossos revestidos de pútrida polpa,
Amortecidos sentidos outrora tão despertos,
Em carnadura de vida se encontrava e daquele estado
Jamais sairia. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Offline

"Se toda a classe desperdiçada fosse,
Em jogos inúteis de sentimentos exasperados
Entre facetas monstruosas, dentre curvas sinuosas
E finalmente, verdades reveladas entre falsas palavras"
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Post de aviso de Hiatus.
Ooooh não, de novo não! -De novo sim-, o hiatus me persegue e enquanto não encontro a saída do mesmo, o blog fica fechado pra manutenção.
See ya, K.