terça-feira, 15 de setembro de 2015

Wo-Oh


Se desfez a ânsia pera aurora.
Seu resumo sem remorso arde.
Refez-se a luz por intermédio de Apolo,
E tão logo o apogeu se esvai em tão amortecido relato.

Do Leão, da Pantera e da Loba
Nada restara então.
Se os tornasse a encontrar, enfrentaria.
Se os tornasse a ver, não recuaria.
Ou quem sabe até o fizesse,
Iludido aquele que com certeza afirma o que não pode ser confirmado.

De fato as trevas não mais o escaveiravam,
Jazia em seu peito certa destreza na escuridão que ternamente o acolhia,
Da loucura humanizada em temores primórdios, nada restava então.
Abraçava o breu sepulcral que em suas entranhas vivia.

Não mais o pio da coruja o alertava,
Não mais o canto do Rasga-Mortalha lhe era mau agouro.
Não mais.
Das milhares de pernas, braços, olhos e cabeças a espreita
Apenas o rubro em insólito canto como uma fonte, se ergueria.

Em sua pele Marte residia,
Decidiu-se sacudindo o mármore em latente sentimento:
Aquele que não teme o Nada, destemido não é,
Covarde tampouco, apenas consciente.

Seus ossos revestidos de pútrida polpa,
Amortecidos sentidos outrora tão despertos,
Em carnadura de vida se encontrava e daquele estado
Jamais sairia. 

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