quinta-feira, 1 de outubro de 2015

After you

Quando canso de mim,
Quando canso de você.
Quando canso de nós,
Quando canso de crer.

Me desfaço das pinturas,
Escondo os retratos.
Mudo os móveis de lugar,
Altero até mesmo o modo de falar.

Só não consigo mexer mesmo,
É no pensar,
É no sentir.
Esses aí que tento inutilmente mudar,
Parecem que a cada dia aprendem mais a lutar,
Para enfim,
O "eu" que tento esquecer,
De vez enraizar.

Tem dias que canso.
Dias e noites de exaustão,
De necessidade,
De revolta.

E então tudo volta,
A realidade despenca,
Como um golpe duro da própria crença.

Nada mudou.
Do melhor pra pior,
Nada mudou.
Do sorriso até o descaso,
Tudo inalterado.

Por isso hoje,
Me mascaro.
Tinjo de cores meus lábios,
Mudo o penteado,
Arrumo outro tipo de papo.

Hoje cansei de mim,
Hoje cansei de ser,
Exercer, fazer, crer
Hoje,
E quem sabe daqui um ou dois dias,
Não serei eu, não serei você,
Afinal de contas,
Serei quem eu quiser ser.



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