sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

1. F*cking close



1. F*cking close
1.2. Octávia - A delirante prisão
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Inspire.
Expire.
Inspire.
Expire.

Ela se obrigava a ver seguindo suas regras de sobrevivência, sendo elas as mais básicas possíveis. A completa escuridão que a cercava já lhe era comum aos olhos e sem dificuldade conseguia vislumbrar o que provavelmente era um criado mudo ou uma espécie de cômoda pequena, uma mesa no canto da parede, mais grande do que deveria já que ocupava um espaço considerável, e uma janela completamente vedada por tábuas velhas e pregos enferrujados.
Sabia que as tábuas eram velhas pois conseguia ouvir durante as horas (fossem elas de dias ou noites), cupins corroendo a madeira gasta, além disso, o pó criado por aquele movimento incomum que era sua única companhia no covil, irritava seu nariz.
Sabia também que os pregos eram enferrujados porque quando chovia, a água penetrava com dificuldade pela janela, o que era bem estranho dado ao fato que nem mesmo a luz penetrava ali. E ela podia sentir o aroma de ferrugem no ar.
Octávia abraçou a si mesma e se deixou deitar na jaula que a prendia. Enclausurada como uma fera, deixada de lado como um brinquedo quebrado. Então aquele era o destino de quem não cumpria as expectativas de Ernest Green? 
O silêncio não mais a incomodava, seus pensamentos haviam se tornado seus maiores carrascos e como não sabia quando receberia água ou comida (o que não vinha acontecendo com a frequência que deveria), não podia falar sozinha, gritar, cantar... Nada, não sabia quanto tempo havia se passado, se dias, semanas ou meses. O tempo e a solidão estavam sendo incríveis na árdua tarefa de enlouquecê-la, e ora quem diria... Ficar sozinha afinal seria sua ruína, ter que aguentar a si mesma e a si apenas, a mataria.

Closer


Como é difícil falar da calmaria da primavera e da tranquilidade do outono no inverno. Como se deixar levar pela doçura da leveza quando se migra de extremos entre eterno inverno e torturante verão?
A estagnação reina naquele que se recusa entre vertentes de saudade, fúria e apatia, e assim, falar da calmaria da primavera e da tranquilidade do outono, se torna algo praticamente impossível.
E nesse inverno que persegue, derruba, reclama e então toma posse, sentir-se sozinho e perdido é completamente natural. O único problema disso tudo é como escapar dos olhos sagazes do gelo cortante, ou ainda do calor sufocante que espreita a cada esquina?
Onde e unicamente onde, se escondem as portas que levam à primavera ou ao tão esperado outono?