domingo, 27 de março de 2016

1. F*cking close


1. F*cking close!
1.1. Vince - A Chegada.

--    
     -Então, quer realmente me comprar com um galeão e meio de fogo estival? Olha bem pra mim e me diz se tenho cara de imbecil. -Diante daquela frase, Vince franziu a testa e agradeceu mentalmente ter o rosto omitido por uma máscara ou o comerciante teria acesso a sua reação de desprezo. Sim, o estava encarando e particularmente, o rekiano acreditava que só o rosto do grandalhão exemplificava que sim, ele era o maior imbecil que já encontrara naquele planeta, mas há de se dar um desconto, estava ali apenas a cerca de quarenta minutos, muitos imbecis ainda cruzariam seu caminho.
 Vince cruzou os braços e continuou em silêncio por alguns segundos, não tinha nada além de um galeão e meio de fogo estival. Não tinha nenhuma arma além de sua velha faca, nenhum animal, peça de valor ou mesmo jóias. Barganharia o próprio corpo na esperança de conseguir uma nave minúscula a fim de sair dali?
Não, seu belo corpinho era precioso demais para ser sequer cogitado naquela conversa (apesar de ter certeza que as moradoras de Hashgan adorariam ter um exemplar raro de rekiano em suas camas), humanoides ou não, seu segredo deveria ser guardado o máximo possível.
-Infelizmente não tenho mais o que te oferecer, - respirou fundo, o uniforme roubado de mecânico grudando no corpo. - Posso te fazer algum serviço que pague o preço da nave, sou um ótimo rastreador.
-Não não, - o grandalhão bufou gesticulando com as mãos em um claro sinal de nervosismo. Vince pôde ver uma gota de suor escorrendo de sua testa, a pele oleosa e clara pareceu brilhar mais. - Sem rastreadores, sem confusões por aqui. Toma de volta sua prata, não quero problemas e se você for esperto nanico, também não quer. Dá o fora daqui, talvez você encontre sua nave mais ao Sul, assim como meios de pagar por ela. - Ele empurrou o galeão e o saquinho em cima do mesmo com alguma brutalidade para os braços do dono original. -Se eu te ver pelas redondezas de novo, vou acionar os Dregs.

Vince deu de ombros, guardou novamente seu dinheiro e saiu sem dizer uma palavra. A última coisa que queria na sua cola eram Dregs, não que acreditasse que houvessem deles por ali, qual é, a capital do crime ter policiais de patente suficiente para receberem ordens diretas do conselho intergaláctico e usarem todo tipo de munição que quisessem, ali? Dregs eram montanhas de músculos sem sentimentos ou emoções, praticamente robôs de carne e sangue dourados a serem sacrificados em prol da "segurança". E toda vez que cruzara com os ditos cujos, fora em rotas clandestinas. Um planeta mercante era livre e disso ainda poderia tirar proveito.

Ao menos esperava que sim.

--



sábado, 19 de março de 2016

Crystalised


Noites de inconstância
De desamor e de afastamento,
Pesadelos, solidão.
Dias de fel
Dias de mel,
Sonhos, sorrisos e luares.
No que se diferem eles,
Das noites perdidas?

Senão tão icônicos
Desiguais e errôneos
Sentimentos...
Que se mesclam na afeição
Na tolice cristalina que te envolve,
Quando me canso de você,
Quando me afasto de mim,
Tão recluso em minha própria existência irreal.

Do que se diferencia o dia e a noite
A luz e a escuridão,
Onde o tempo não é sequer cogitado? 

-----------------

Tolices,
Tolices apenas.
Distrações de uma perturbação psicótica.
Desejos,
Anseios apenas.
Vontades que se perdem entre pensamentos,

Ai daquele que sonha! 
Ai daquele que crê!
Ai ainda, daquele que sozinho padece, criando o irreal.
Não te afasta de si mesmo,
Não te deixa perder no labirinto da vida e da morte.

Onde o tempo não foi criado, nada nascerá, nada findará 
Volta, 
Esquece essas correntes
Nas quais se prende com tanto anseio
E volta.

-----------------

Não finja se equilibrar
No mais extremo alto do precipício 
De lamúrias e desilusões.
Volta você.

Há aqui apenas os esquecidos.
O que a mortalidade não pode apagar.
Aquele que sempre esteve,
Não foi criado, não será extinguido.
Volta você.
Aqui não é o seu lugar.

Se duvida que até mesmo a vida pode viver,
Que finalidade existe em meus pensamentos
Serem tomados por você?
Qual razão teria eu, aos seus sentimentos ceder?

------------------

Se na névoa ilusória que perpetua tua máscara insólita
Nada mais há senão descrença e vazio,
Por qual motivo ainda me dá ouvidos?
Por qual razão ainda cria em todos, em mim, o mais doce
Leve e gentil
Sonhar?

------------------

A frase retórica e cortante fora a última que ouvira saindo daquela que outrora lhe fora tão importante. Afinal, quantos amores perdidos mais teria? Como medir o que não pode ser medido? Como recuperar as sensações e os sentimentos agora perdidos? Estava vazio, mesmo que cheio. Estava perdido, mesmo que em perfeito lugar. Como poderia ele, o criador dos sonhos, ser incapaz de sonhar?

Pôs o elmo novamente e se deixou cair de braços abertos do rochedo alto que criara, perdendo-se mais uma vez em seu mundo, sua dimensão. Talvez criasse outro pesadelo, talvez visitasse novamente o Destino.

Não está morto o que pode eternamente jazer. E com estranhas eras, pode até mesmo a Morte, morrer.

domingo, 13 de março de 2016

Waiting and waiting but it's out of control

Sabe qual é o maior problema em mergulhar na fantasia, Aurora? Não é despertar dela e descobrir que nada existiu.
É afundar.
Se afogar por completo e ser tomado pela ilusão gostosa de conforto que ela trás... É se viciar a tal ponto que não se difere mais o que é real do que nunca foi, é precisar, é querer. É ansiar com todas as suas forças pela dor que nunca cessa e finalmente, é destruir todas as saídas possíveis e ficar eternamente preso naquilo que tanto causou prazer.


--
Continua?