terça-feira, 19 de abril de 2016

A-L-I-V-E


Nas inconstantes linhas das marcas futuras,
Se esconde o amargo vazio da consciência,
Tudo é, enquanto não é.
No negrume eterno que se segue acima de tudo,
O asfalto quebra suas rachaduras vermelhas,
A gasolina praticamente explode na alma vazia, a consome.
Pra onde seguir quando se está perdido?

Nas inconstantes linhas do destino,
Se encontram as mais diversas sensações,
A revolta é vida e morte.
Na luz inebriante que se estende no horizonte,
A incerteza reluz com sua tentadora vaidade,
É tudo questão de ponto de vista,
Solidão.

Nas inconstantes linhas da vida,
Me perco, me despeço, me encontro, me afasto,
Me quebro e então, novamente me refaço.
No caleidoscópio colorido e eterno no qual salto sem temores,
Me abraça o vazio, me toma o tudo e sem remorsos,
Faço lentamente as pazes comigo.


quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Lobo

(...)

O lobo cinzento percorreu todos os caminhos à frente, guiado pelas estrelas, pela luz mutável do sol e pela lua prateada.
Ele lançou seus sonhos no horizonte longínquo e decidiu que pouca coisa realmente lhe era conhecida e resolveu listar as que atribuía maior e menor valor. No topo da lista de prioridades citou o cheiro da terra quando a chuva caí, o frio gostoso da névoa durante as madrugadas e às manhãs, os sabores e tudo aquilo que lhe dava vontade de correr. Enquanto na lista de menor valor, pôs os desejos mesquinhos de reconhecimento, as mágoas, as certezas e também as dores, mas que de certa forma, faziam parte de si e para sempre o fariam, encabeçou  a lista por fim com suas lembranças.
A partir desse momento o lobo tomou consciência da cor de sua pelugem, e a partir desse momento, o lobo entendeu o que era sua existência, sua vida e a verdadeiro deleite e delírio... Do "sentir".

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