terça-feira, 24 de maio de 2016

Coming Down


-Não te cansa? -Ela batia os dedos agitados e frios contra o vidro engordurado da janela do ônibus, ajeitou o óculos com a mão livre, desistindo de ler qualquer coisa em seu celular, em seguida o deixou no colo. Apoiou o queixo na mão direita e suspirou. -Viagens sempre me deixam triste.

-De forma alguma. Não acha as viagens especiais? - Amélia franziu a testa e virou o rosto para a amiga, fez um pequeno bico com os lábios e em seguida deu de ombros. - Bem, pensa comigo... A cada vez que você deixa sua casa, que você conhece novos lugares, pensamentos, pessoas, horizontes, algo em você muda. Você se expande. Todo ser humano é único Mel, expandir um universo inteiro dentro de si mesma, sonhar... Não custa nada acreditar um pouquinho, custa?

Amélia escorregou um pouco mais o corpo na poltrona desconfortável e pôs novamente os fones de ouvido. Não é que não gostasse de viajar ou que não achasse valer a pena. A nostalgia simplesmente não a fazia bem, e sabia em seu mais íntimo pensamento que as lembranças posteriormente lhe fariam algum mal, trariam a saudade ou quem sabe, a angústia.
Não gostava de admitir para si mesma mas encarar o céu a fazia pensar em todos aqueles que perdera, que deixara, e na estrada... Bem, tudo o que tinha era uma playlist incessante a qual ignorava e deixava apenas uma música tocando sempre no modo repetir, sua amiga dorminhoca e sonhadora... E o céu, este nunca a abandonaria, assim como a melancolia que trazia consigo.

-Boa noite Mara, -sussurrou por fim, já vendo a amiga tranquila no banco ao lado. Cruzou os braços e se deixou hipnotizar pelas estrelas, as folhagens das árvores densas que cortavam caminho na estrada e principalmente a escuridão que os cercava.

Aquela seria uma longa viagem.

domingo, 15 de maio de 2016

sábado, 14 de maio de 2016

Não pergunte

O pior silêncio é aquele do qual nunca se obtém qualquer resposta, aquele vazio que não te responde, não te preenche. Ele só existe, só aumenta e mesmo que se grite, por ele nada ecoa.

A pior verdade é aquela da qual sempre se foge, a que você evita a todo custo, que veste de ilusões e fantasias, mentiras bobas, sorrisos tristes. E ela sempre acaba surgindo.

Em tua suja palavra não me apeteço
Em tuas mentiras frias me aqueço
Presa num lento e constante cair
Que me prende ao inexistente
Que me faz crer, que posso sentir

Nas tuas mãos calejadas busco colo
Abraços, carinho
No teu olhar cansado, reflito a solidão
E cedo.

Cedo como cedem as raízes
Esmaeço como a quem o ácido corrói
E busco forças que não possuo.
Te levanto.
E caio no processo.

E então me refaço, nos estilhaços do que ainda sobrou
Diferente do que um dia fui, outrora gritante angustia
Agora findada agonia
Recomeço.

Trilho o caminho de pedras a mim proposto,
Afogo, voo, fujo
E então acordo, despedaço
E revivo de novo, na doce esperança
De que o passo a seguir, por completamente
Não me desfaça.



sábado, 7 de maio de 2016

'Cause I got me for life



"Aprenda a amar sua solidão, aprenda a amar a si mesmo e o tempo que passa consigo, com sua mente e suas vontades.
Aprenda a não esperar nada de ninguém, não se acostume, se adapte.
Mas não se esqueça de se amar, de se ter.
E acima de tudo, não deixe que ninguém, absolutamente ninguém
Te tire de você"