quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Silêncio - Introdução

Já sentiu que o peso era denso e forte demais, e que não daria conta de se livrar dele? Ou que cada passo dado, não te levaria à lugar nenhum?
Eu já.

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Silêncio.
Olhei ao meu redor e me encontrei na mais densa escuridão. Não conseguia distinguir um palmo a minha frente, sequer minhas mãos e dedos outrora tão pálidos, obtinham qualquer relance de vislumbre no negrume que me engolia.
Abri os braços e girei em torno de mim mesma, dei uma volta inteira e então dois passos para trás, repeti o ato, dois passos para frente e tornei a fazê-lo. Aquele lugar -seja ele qual fosse-, era amplo, e isso me perturbou de formas inimagináveis. Nunca fui claustrofóbica* mas a escuridão me causava calafrios e ali, ela era tudo o que tinha.
Respirei fundo, onisciente de quem era mas inebriada no breu de minha própria vida. Como chegara até ali? O que vivi antes daquilo? Quem me é querido?
Minha garganta estava seca (assim como ainda o está), e o gosto salpicado na língua e no céu da boca era metálico. Forcei então, a voz a sair.
Nada.
Respirei fundo novamente e engoli em seco, abri a boca e deixei a língua dançar sob meus lábios rachados, circulando-os e umedecendo-os.
Tentei novamente proferir qualquer som que ainda residia em minhas cordas vocais, não sendo capaz de recordar se algum dia já havia dito qualquer palavra.
Novamente e para meu pavor, nenhum som, nem mesmo o mais baixo suspiro, saltou de mim.

Quanto tempo havia se passado desde que me dera conta da prisão em que me encontrava? Quanto tempo, se é que ali o tempo era medido, fiquei presa, nas trevas?

Já desesperada, me pus a correr. Se aquilo era uma prisão, deveriam haver paredes não é? Algum vestígio de luz, qualquer coisa que me orientasse.
E corri.
Corri até meu corpo ceder e meus joelhos pedirem arrego, corri com todas as forças até que estivesse ajoelhada no chão, sem fôlego.
Mas não encontrei nenhuma barreira.
Era como se estivesse livre e ao mesmo tempo, enjaulada. Aquilo era o tudo, mas acima disso... Era o nada.