domingo, 23 de outubro de 2016

Everything that kills me makes me feel alive


-O primeiro respirou fundo enquanto o segundo tomava impulso e o terceiro marcava o tempo em seu relógio, consegue imaginar o que aconteceu depois? - Elisa pestanejou não entendendo a razão da história ter sido interrompida tão abruptamente, lhe dando uma abertura. Piscou atordoada e fez um singelo "não" com a cabeça, os olhos vermelhos denunciavam seu sono e o semblante cansado anunciava um dia cheio demais para um ser tão pequeno. - Não? Mesmo? Pois quero que imagine. Assim, terminará você a história.

A pequenina arregalou os olhos apertados após aquela afirmação absurda. Ela terminaria a história? Não era esse o trato. O acordo era sempre haver uma história antes de dormir para que o deus dos sonhos lhe desse missões fantasiosas e mágicas enquanto dormia, não que ela mesma montasse o final de algo já previamente escrito. Relutante teimou com sua mãe que apenas sorriu e fechou o livro, levando-o contra o peito.

-Cada conto pode ter um final diferente, tudo depende de quem o ouve, de quem o conta. Quando for mais velha, minha pequena, vai entender que nada na vida é eterno e tampouco concreto. Até mesmo a verdade e os sentimentos são passageiros ou questão de ponto de vista, pense no fim da jornada dos três amigos, será que houve mesmo um fim? Pense o quanto quiser e me conte depois, pode ser?

Elisa particularmente não entendeu as palavras da mãe até ser velha o suficiente e até estar totalmente sozinha.

É pra isso que serve o silêncio.
Pra suprir a gritaria desnecessária que assola o tormento incessante dos pesadelos.
É pra isso que existe o silêncio.
Pra te clarear as ideias e mostrar quem de fato está ali por você.
Abrace seu silêncio e se feche contra a gritaria ao seu redor, nada além disso importa agora.